shape
Na Estrada

FIAT aposta no regresso da combustão para fazer mexer o mercado em Portugal

  • Texto: Luís Alves
  • Fotografia: Direitos Reservados
02 de August, 2026

A apresentação nacional da marca italiana serviu de palco para uma mudança estratégica de peso. Sem apresentar silhuetas novas, a FIAT recupera as motorizações exclusivamente a combustão e as caixas manuais para baixar drasticamente o preço de entrada da sua gama. Pelo meio, reforça a aposta no “lifestyle” com o quadriciclo Topolino e levanta o véu sobre o inédito modelo Grizzly.

A estratégia assume um pragmatismo assinalável no atual e complexo panorama da indústria automóvel europeia. Tal como os responsáveis da marca sublinharam durante a conferência de imprensa realizada no SPATIA Comporta, no litoral alentejano, o foco imediato não reside na eletrificação total a qualquer custo, mas sim na resposta às necessidades reais e à carteira dos consumidores portugueses. Este movimento materializa-se na reintrodução de motores puramente a gasolina, associados a caixas manuais, nos modelos 500, 600 e no novo Grande Panda. O objetivo primordial da construtora de Turim é simples: garantir preços imbatíveis e assumir a coroa da gama mais acessível do mercado nacional. Esta abordagem resulta numa tabela de valores altamente agressiva no âmbito da campanha “Verão FIAT”, que assinala também os 127 anos de história da construtora. O icónico FIAT 500, na sua versão Hybrid, volta a estar disponível por um valor inferior a quinze mil euros, fixando-se nos 14.900 euros, o que se pode traduzir numa renda mensal de 69 euros. Exatamente o mesmo valor de entrada aplica-se ao novíssimo Grande Panda, graças à sua variante a gasolina de caixa manual.

A opção urbana Pandina surge ainda mais barata, a arrancar nos 12.900 euros (ou 49 euros por mês), enquanto o FIAT 600, a proposta da marca para o concorrido segmento B-SUV, inicia a sua oferta nos 17.900 euros através das recém-anunciadas versões Street e Sport a gasolina.

Líderes nas pequenas dimensões

A filosofia de “ser grande em pequenino” é o lema que atualmente norteia a direção da marca. Os dados de mercado partilhados durante a apresentação confirmam o sucesso desta vocação histórica: a FIAT reclama a liderança absoluta na Europa no segmento de veículos entre os 2,5 e os 4,0 metros de comprimento, detendo uma expressiva quota de mercado de 21 por cento frente a concorrentes de peso como a Toyota ou a Citroën. Em Portugal, a força comercial da fabricante italiana neste nicho é ainda mais dilatada. No segmento A, o mais compacto do mercado, a FIAT domina um terço das vendas, arrecadando uma quota de 33 por cento sustentada pela família 500 e pelo modelo Pandina.