Nilza e António Montenegro Fiúza
Capim-Limão Country House
O azul-pastel que abraça o granito na fachada é logo um convite à descoberta. A casa Capim-Limão Country House quase sobrevoa a beleza edénica do Vale do Lima, condensando uma releitura ambivalente do espaço como refúgio e lugar aberto ao mundo.
- Texto: Fátima Iken
- Fotografia: Maria João Gala
Não sei se já provaram um chá de capim-limão (também conhecido por citronela ou erva-príncipe), mas o efeito é calmante e refrescante, em simultâneo. Exala um perfume exótico e apaziguador que se torna viciante. Uma sensação parecida com o que nesta casa a linguagem da arquitetura evoca.
A semântica poética do chá, da água, da pedra e da terra povoam o nosso imaginário, mesmo antes de entrarmos na Casa do Capim-Limão Country House, a dois passos de Ponte de Lima, Paredes de Coura e da icónica Casa Grande de Romarigães, de Aquilino Ribeiro.
Sobranceira às encostas que confluem sobre o corropio das águas do rio Labruja, estabelece um traço de união entre o estado líquido e o efeito telúrico da pedra granítica, onde espaços abertos e grandes vidraças nos imergem num banho de luz, sempre com apontamentos de um azul metileno.
A casa é abrigo mas viagem, ponto de encontro e evasão. Recebem-nos os sorrisos contagiantes de Nilza e António Montenegro Fiúza, cujas raízes o trouxeram de volta, escolhendo a paz do lugar dos ascendentes para estar perto da família.
A ideia de recuperar esta antiga residência de padres, datada de 1747 e com uma traça genuinamente minhota, conciliou-se com o prazer de receber, pelo que, para além de residência, corporiza um boutique-hotel que vale a pena conhecer.
“Gosto de espaços intimistas e com exclusividade, casas de campo com história. Este edifício estava em ruínas há muito tempo e juntamos o útil ao agradável. Fizemos a casa dos nossos sonhos, estamos próximos da família e recebemos pessoas porque gostamos muito de conviver. O lugar ganha ainda mais valor por saber que o meu avô trabalhou aqui”
– enfatiza António que já viveu em quatro continentes, no âmbito do seu trabalho como CEO da Ensino Lusófona no Brasil e ainda presidente da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro.