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Guia Portugal

Moagem Industrial Lodge

Um acordar diferente

Estamos em Viana do Alentejo, a cerca de 30 quilómetros de Évora. E se espera um hotel num monte alentejano, uma casa caiada ou histórias de família, está no sítio errado.

  • Texto: Célia Lourenço
  • Fotografia: Fabrice Demoulin
07 de July, 2026

O Moagem foi um edifício industrial, as paredes não são brancas e as memórias que por aqui se evocam cheiram a farinha e cereal. O edifício destaca-se da malha urbana de Viana pela sua estética, cor ocre e altura uns andares acima das tradicionais casas à sua volta.
Este hotel da Mainside Investments surge da recuperação dos antigos Moinhos de Santo António, inaugurados em 1949, que tiveram uma importância fundamental na região durante largas décadas mas que se foram tornando obsoletos, culminado essa decadência com o seu encerramento há uns anos. Agora, toda a estrutura conhece uma nova vida desde o início do verão de 2025 com o Moagem Industrial Lodge.
A recuperação e transformação da antiga estrutura para a nova função, assinada pelo arquiteto Gonçalo Queirós Carvalho, resultou no que parece uma ruína industrial – tudo o que foi possível manter foi mantido, as novas paredes foram construídas em blocos de betão, e não foram rebocadas, e as paredes antigas mantiveram a aparência sem nova pintura, nem mesmo para cobrir alguma intervenção necessária.Todas as instalações técnicas estão à vista, tubagens de água, condutas de ar condicionado e cabos elétricos. Estamos, assim, perante um estilo em muitos aspetos herdeiro da arquitetura brutalista, movimento que teve o seu auge após a 2ª Guerra Mundial e que se caracteriza precisamente pela expressão dos materiais na sua essência – “Brutalismo” surgiu a partir do termo francês “béton brut” -, onde se encontra naturalmente o betão à vista a par de elementos estruturais assumidos, paredes sem revestimento, minimalismo e formas geométricas poderosas.