Colinas e Marola, a sedução do azulejo
VIÚVA LAMEGO e REPUBLIC OF II BY IV
- Texto: Célia Lourenço
- Fotografia: Direitos Reservados
A Viúva Lamego é uma referência incontestada na azulejaria. Portuguesa? Claro. Mas também mundial. Até a IA (inteligência artificial) a reconhece como tal, já que à Viúva Lamego chegam clientes de zonas remotas do planeta porque colocaram a questão à habilidosa ciência que habita a nossa tecnologia.
A Viúva Lamego é, assim, uma importante página da nossa memória coletiva. Fundada em 1849 por António Lamego como oficina de olaria, é assumida pela mulher com a sua morte, em 1876. É já no século XX que passa a produzir quase exclusivamente azulejos. E encontra novos rumos em 2017, sob a gestão de Gonçalo Conceição.
Desde sempre reconhecida a qualidade da sua manufatura, os azulejos Viúva Lamego materializam fachadas, revestem interiores e dão corpo a obras de arte. Designers, arquitetos e artistas escolhem-nos, por um lado. E são convidados a criar novas linhas ou painéis, por outro.
Assim aconteceu na recente parceria com a REPUBLIC OF II BY IV, com sede em Toronto, no Canadá, e ateliers em Nova Iorque e Londres. Pela primeira vez a Viúva Lamego convidou um estúdio de design internacional para a criação de novas coleções.
Keith Rushbrook, partner da REPUBLIC OF II BY IV refere-se à centenária empresa portuguesa como “the best in the world” e diz ser uma estreia – depois de dez anos como estúdio de design industrial, desenham azulejos e assinam uma coleção. Ou duas. São elas Colinas e Marola. Azulejos modulares, que permitem inúmeras combinações. Não são planos, têm curvas e texturas, têm volume e criam sombras. É possível explorar padrões dentro dos padrões. Em cinco cores: azul, verde, mel, preto e branco.
A coleção Colinas evoca a paisagem portuguesa, tendo também buscado inspiração nas dobras de tecidos plissados. Linhas paralelas muito juntas acontecem em duas direções perpendiculares, criando padrões distintos em cada uma das três peças modulares (10×10 cm, 10×20 cm e 20×20 cm).
Também na Marola, o nome revela a inspiração: onda. Cada peça é uma impressão que fica na areia quando a água recua para o mar. Estamos num universo mais orgânico, com assimetrias e ondulações. O vidrado faz parte de todo o efeito e não há limite para as combinações das duas peças modulares (10×10 cm e 20×5 cm).