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Craft

Mãos que moldam

Tal como o remo desbrava as águas de um rio, também a ex-remadora e escultora minhota Iva Viana doma o gesso para criar peças que misturam linhas clássicas com contemporâneas inspiradas pela natureza.

  • Texto: Florbela Alves
  • Fotografia: Maria João Gala
02 de July, 2026

Com a roupa salpicada com pintas brancas de gesso, Iva Viana sobe para cima de uma bancada para limar as folhas e o tronco do Embondeiro, um painel de grandes dimensões “inspirado na árvore sagrada que dizem ter nascido em África mas cujas raízes chegaram ao Brasil”, e que daí a algumas semanas há de viajar para o continente africano para decorar o novo aeroporto de Luanda, em Angola. Esta será uma das raras vezes em que uma peça da artista minhota vai sair da freguesia de Meadela, Viana do Castelo, para fora de Portugal. “É muito raro isso acontecer, devido à dimensão e à delicadeza no transporte”, diz-nos com a preocupação natural de um criador em proteger a sua obra.

Com 45 anos, Iva Viana é uma das poucas artistas portuguesas a reinterpretar o gesso com formas contemporâneas a partir dos processos manuais de modelação de estuques. Os dias são passados na oficina/ateliê às portas de Viana do Castelo, na mesma rua onde cresceu e repleta de memórias: “Os meus pais casaram no jardim desta casa de campo (onde funciona o ateliê) e ainda vivem nesta rua”, conta enquanto nos guia pelos dois armazéns de grandes dimensões nos quais cria as suas peças – e que abre a visitas gratuitas ao público uma vez por mês, aos sábados de manhã (das 9h30 às 12h30).

Nas paredes ou nas prateleiras, observam-se as Flores (“alma mater” da sua marca), os Painéis (Nortada, Oceano, Garças, Bananeira), as Folhas de Palmeira ou, entre outros, o Pássaro-Peixe.