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Destinos

Gronelândia Extraordinária

Uma viagem ao coração do Ártico

A bordo do SH Vega, da Swan Hellenic, uma expedição pelos fiordes, glaciares e aldeias remotas da costa sul da maior ilha do mundo.

  • Texto: Fernanda Fehring
  • Fotografia: Fernanda Fehring, Swan Hellenic, Visit Greenland, Annie Spratt, Bob Brewer, Francois Falanga, Hector John Periquin, Rod Long
09 de July, 2026

Eram pouco mais de seis da manhã quando o sol começou a rasgar a linha do horizonte e o SH Vega chegava ao sul da Gronelândia. A chegada a Skjoldungen, um dos fiordes mais espetaculares da ilha, é de cair o queixo. Com a beleza do amanhecer como pano de fundo, os primeiros icebergs começaram a surgir timidamente. Flutuando sobre o espelho de água prateado, o branco azulado dos bergs formava um contraste de rara beleza.

Diante de tamanho espetáculo, as lágrimas vieram sozinhas, não havia outra resposta possível.

Chegar a um lugar tão remoto e selvagem, tão distante de tudo o que se conhece, foi uma das experiências mais arrebatadoras que já vivi.

Tudo havia começado dois dias antes, em Reykjavík, quando embarcámos rumo à Gronelândia, a maior ilha do planeta, coberta por uma calota de gelo que remonta a milhões de anos. Habitada por pouco mais de 56.000 pessoas espalhadas por uma costa de proporções inimagináveis, um lugar que poucos viajantes chegam a conhecer.

O oceano que cobra portagem

Antes de qualquer beleza, o mar ensina que não é para brincadeiras.

A saída da Islândia é suave, mas durante o trajeto pelo Estreito da Dinamarca, o oceano logo cobra a sua portagem. O mar agita-se, as ondas ganham altura e o navio começa a oscilar com uma insistência que poucos estômagos aguentam sem protestos.

 

O seasickness é quase um ritual de iniciação nessas latitudes, uma mistura de vulnerabilidade física e respeito pela força bruta do oceano. A travessia, porém, vale cada solavanco. Do outro lado, esperava-nos um mundo diferente de tudo o que se conhece.