A pesca artesanal de Vila Chã
Chef Rui Paula
Comê-las assadas entre brasas ou caruma, rechinantes como O’Neill lhes chamava, entre o estridular da brasa que faz ranger sal e gordura, é sinónimo de Estio. Mas a sardinha, esse emblema nacional, apanhada por um pescador artesanal e recriada por um chef duas estrelas Michelin ainda tem mais sabor.
- Texto: Fátima Iken
- Fotografia: Maria João Gala
Estamos sentados na Praia do Facho, em Vila Chã, Vila do Conde, e o sol começa a nascer entre lufadas de maresia. Lá ao longe, o horizonte é polvilhado por pequenos barcos que agora se aproximam de terra e vão lambendo suavemente a ondulação. Na imensidão do azul, surgem como cascas de noz de várias cores, a trincar a inusitada acalmia do mar, normalmente encapelado pela nortada.
Uma enseada forma uma espécie de abrigo, de porto natural, debruada por molhes rochosos, de cada lado. Todas as manhãs e fins de tarde os barcos de pesca andam na sua azáfama, acostando na pequena praia onde as mulheres os esperam, nervosas pelo que traz a faina. Durante a tarde, há homens e mulheres a remendar redes, a iscar linhas ou a fazer armadilhas (covos) para o polvo.
A sardinha foi um dos emblemas desta praia. Era daqui que saíam diretamente para as conserveiras.
Hoje, infelizmente, a pesca do cerco e a alteração do ecossistema já não a torna tão abundante.