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Cooking

Ladrilhos de Amor

Marmelada branca de Odivelas com Carolina Pinho

É obra. Um doce que é um legado de um lugar com sete séculos faz-nos pensar. Sobretudo se estamos agora exatamente no mesmo local onde ele ganhou fama, neste caso a cozinha encantatória do Mosteiro de São Dinis e São Bernardo de Odivelas, mandado erigir por D. Dinis em 1295 e entregue à Ordem de Cister, onde viveram as monjas bernardas durante séculos.

  • Texto: Fátima Iken
  • Fotografia: Fabrice Demoulin
23 de June, 2026

Há um cheirinho a calda de açúcar que esvoaça no ar, mas os olhos prendem-se nos reflexos dos azulejos azuis e brancos que contrastam com as panelas de cobre alinhadas nesta cozinha impoluta e tão bem conservada até hoje.

Era aqui que originalmente se confecionava a célebre marmelada branca de Odivelas já no tempo de D. João V (que reinou entre 1706 e 1750), que dizem ter frequentado o convento, a par de inúmeros outros fidalgos, está-se mesmo a ver porquê. Consta que se terá enamorado de uma freira, Madre Paula. Gostava de mordiscar ladrilhos de marmelada e ninguém o pode penalizar por isso, obviamente.

Da família das Rosaceae, o marmelo (Cydonia Oblonga) veio do Cáucaso e é, tal como a maçã e a pera, rico em pectina e também símbolo de fertilidade. Neste contexto isto faz mesmo sentido.

Marca registada, a Marmelada Branca de Odivelas conseguiu ainda o estatuto de IGP (Indicação Geográfica Protegida). Em setembro de 2022, a Comissão Europeia atribui-lhe o certificado europeu e o Ministério da Agricultura aprovou o registo que permite apenas aos produtores sujeitos ao regime de controlo do organismo de certificação que possam usar esta indicação.