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Chefs e Cozinheiros

Juan Luis Martínez

Uma questão de mérito

Como o chef venezuelano Juan Luis Martínez e a designer Michelle Sikic conseguiram afirmar os seus nomes na cena gastronómica de Lima, hoje uma das mais proeminentes (e competitivas) do mundo.

  • Texto: Rafael Tonon
  • Fotografia: Direitos Reservados
23 de June, 2026
Chef Juan Luis Martínez

"No Peru, como em qualquer país que recebe um fluxo de migração massiva, há sempre um impacto inicial, e isso gera resistência. Eu senti isso, sim, não podemos ser cegos”, explica. “Mas não critico. Acho que é natural até que as coisas se estabeleçam. O que sempre tivemos claro é que as nossas ações tinham de falar por si”, acrescenta.

Chef Juan Luis Martínez

No meio de uma das principais artérias do arrojado bairro de Barranco, em Lima, uma porta de madeira maciça, emoldurada por uma meia parede de pedras sóbrias, chama a atenção. Do lado de fora, quase não há sinalização: apenas o nome da casa aplicado discretamente sobre a parede branca. Através do vidro, é possível ver o interior iluminado por luz quente, com uma mesa-balcão visível logo após a entrada, criando um contraste entre a rua movimentada e o ambiente contido do restaurante, hoje um dos mais premiados da cidade.

A fachada do Mérito diz muito sobre o projeto dirigido pelo chef Juan Luis Martínez e pela designer Michelle Sikic, o casal que inaugurou o espaço sem grandes alardes em 2018. Juntos, construíram uma reputação com paciência e dedicação, o que contribuiu para a consolidação de um restaurante que hoje ocupa lugar de destaque numa das cidades mais gastronómicas (e, por isso mesmo, mais concorridas) do mundo.

O Mérito está entre os 10 melhores restaurantes da América Latina na lista dos 50 Best (e figura entre os 30 na sua versão global), além de ter sido eleito pela revista Food & Wine como o melhor restaurante internacional de 2024. Combinando produtos locais peruanos com sabores da sua Venezuela natal, Martínez criou uma cozinha ao mesmo tempo vibrante e elegante, que conquistou o respeito de cozinheiros de todo o mundo.

Não sem alguma resistência inicial, importa dizê-lo. Natural de Caracas e formado pela escola La Casserole du Chef, foi durante anos braço direito do chef Virgilio Martínez no reputado Central (eleito em 2023 o melhor restaurante do mundo pelos World’s 50 Best). Ao abrir o seu próprio projeto, sentiu que teve de provar-se duas vezes — “primeiro como imigrante, depois como cozinheiro”, diz. “No Peru, como em qualquer país que recebe um fluxo de migração massiva, há sempre um impacto inicial, e isso gera resistência. Eu senti isso, sim, não podemos ser cegos”, explica. “Mas não critico. Acho que é natural até que as coisas se estabeleçam. O que sempre tivemos claro é que as nossas ações tinham de falar por si”, acrescenta.