Tasca do Petrol
Sabores com tempo
É uma história de família, uma vida dedicada aos sabores serranos do Barrocal algarvio. O restaurante Tasca do Petrol leva-nos numa viagem pela aura das cozinhas a lenha de outrora e coloca na mesa hinos à sapidez. O segredo é triplo: tempo, paciência e memória, respeitando práticas seculares.
- Texto: Fátima Iken
- Fotografia: Rita Chantre
Há sítios onde entramos e dá vontade de ficar. A Tasca do Petrol é um deles. Depois de serpentearmos a idílica serra de Monchique, com ares que abrem o apetite, ninguém fica incólume para o que se segue em matéria gastronómica.
A musicalidade dos pratos fica logo no ouvido. Cozido de couve com papas de milho, carne na banha, cozido, javali estufado, feijão com couve. E mal se entra, o aroma que se evola da cozinha promete. Uma mistura de lenha com carnes apuradas, guisados do outro mundo abeberados em várias horas de cocção.
O tal umami de que anda toda a gente à procura, esse sabor que ficou gravado na nossa memória ancestral.
Podia ser um sonho, mas é realidade. A cozinheira e mentora é Nélia Nunes, que corporizou um desejo antigo de ter um restaurante familiar e, assim, transformou a velha taberna dos pais, com mais de 50 anos, num lugar especial.
Ela é a alma da casa mas os irmãos, Pedro e Osvaldo, estão sempre por perto, na sala, assegurando o serviço. A comandar os fogões é Nélia que, de madrugada, acende as lareiras e os fogões com prazer. O ambiente é, assim, familiar e quem chega sente-o de imediato.
Estamos na “zona de lenha” do restaurante que há várias horas vai já condensando sabor e a azáfama garante sapidez na certa. Como sempre, é o tempo uma das grandes personagens da comida de tacho feita a lenha. E tachos enormes é coisa que aqui não falta.