Neptune Pearl
Chef João Rodrigues
Uma ostra é, em si, uma pérola de sabor. Um concentrado de mar. Uma pequena caixa que encerra uma essência preciosa. Como se o jardim do éden incluísse todo o ambiente marinho. Tem a força de uma onda salgada, a delicadeza de um spray de maresia e carrega uma história de séculos na cultura do nosso país.
- Texto: Célia Lourenço
- Fotografia: Fabrice Demoulin e Rita Chantre
Muitos dizem que, relativamente às ostras, ou se ama, ou se odeia. Não há meio termo. O seu corpo viscoso, com cor quase indefinida entre o cinzento e o esbranquiçado, tem um aspeto que para os menos afoitos, faz desconfiar. Também o facto de serem geralmente comidas cruas leva ao afastamento dos mais céticos (apesar de existirem receitas que nos fazem levitar, como as etéreas huîtres arcachonnaises en terrine oceáne, o prato de assinatura de Jean Michel-Lorain, no restaurante La Côte Saint Jacques).
Pois nada disto se passa com Célia Rodrigues, uma força da natureza, que em 2012 criou a Neptun Pearl e, graças à sua perseverança e determinação, conseguiu devolver as verdadeiras ostras portuguesas aos portugueses.
Célia nasceu em Peniche e sempre esteve ligada ao mar, numa família de pescadores. A sua formação, na área da Engenharia, não a afastou dessa aliança umbilical e começou a sua vida profissional na piscicultura, com o objetivo de produzir peixe e proteger os mares. Até hoje, diz sempre ter tido uma vertente de produção muito forte, aliada à investigação.
É nessa atividade de piscicultura que vem parar a Setúbal no final da década de 1990 e, curiosa como é, procurou saber mais, já que sempre estivera ligada ao mar e não a estuários. Entre os piscicultores do Sado, conhece um que a vai marcar para sempre, Reinaldo Mendonça, que lhe apresenta o maravilhoso mundo das ostras. Célia Rodrigues sente uma atração imediata, com o impulso de as proteger e recuperar, mas percebe que ainda não é altura. Precisa de mais experiência.