Tavira: Jóia na Coroa Algarvia
Vagueando sem rumo pelas ruelas de Tavira, vem logo à mente a citação bíblica: “Os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos”. Não (apenas) por causa das 21 igrejas consagradas dentro desta cidade histórica, fundada em 1266 e elevada a cidade em 1520, mas, mais mundanamente, porque parece que a modernização e urbanização descontrolada do Algarve dos últimos 40 anos a ultrapassou quase completamente.
- Texto: Tony Smith
- Fotografia: Duarte Drago
Não há arranha-céus, nem discotecas ou bares ao estilo de Ibiza e muitas das lojas do centro da cidade apresentam montras com ares do século XX, um solitário carro de polícia ainda faz a ronda noturna por volta da meia-noite. Em suma, Tavira é uma das últimas jóias preservadas da coroa algarvia.
Graças a este encanto, a cidade tem-se tornado cada vez mais internacional nos últimos anos, mas até à data tem conseguido preservar uma portugalidade inconfundível.
As férias aqui têm um toque distintamente do antigamente: ferryboat para a praia (com direito a fila); vendedores ambulantes de bolas de Berlim; “drinques” numa esplanada ao pôr do sol – naturalmente acompanhados por ostras; jantares em noites de calor em mesas colocadas no meio da rua.
Acredite-se ou não, alguns residentes queixam-se de que a cidade está parada no tempo. Mas outros crêem que este é o futuro – não é por acaso que Tavira é uma das quatro únicas cidades portuguesas classificadas pelo movimento internacional Cittaslow, que promove a qualidade de vida através de paisagens intactas e caracterizadas pelo respeito pelas tradições, cozinha local autêntica, tradições artesanais – em suma, através da celebração de um estilo de vida lento e tranquilo.
Um guia para um Algarve feito de história e saboreado com tempo